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Manifestantes bolsonaristas invadem campus da UFRN e agridem estudantes

Grupo, que contou com a presença do deputado General Girão (PL), levou professores a suspender aulas no Setor IV e no Centro de Tecnologia da Universidade. Um grupo de manifestantes bolsonaristas invadiu o estacionamento do Setor IV do Campus Central da UFRN na tarde desta segunda-feira (19). Testemunhas contam que os manifestantes chegaram ao local […]

Grupo, que contou com a presença do deputado General Girão (PL), levou professores a suspender aulas no Setor IV e no Centro de Tecnologia da Universidade.

Um grupo de manifestantes bolsonaristas invadiu o estacionamento do Setor IV do Campus Central da UFRN na tarde desta segunda-feira (19). Testemunhas contam que os manifestantes chegaram ao local com pelo menos dois carros de som, bandeiras e adesivos da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência.

Diante do som alto e dos gritos de “Fora, Lula” entoados pelos bolsonaristas, professores cancelaram as aulas que se tornaram impraticáveis diante do barulho. Estudantes que reclamaram de terem sidos prejudicados foram agredidos pelo grupo, segundo relatos de alunos e vídeos que circulam na internet.

De acordo com os relatos, integrantes do grupo partiram para insultos e ameaças contra quem se opunha ao ato, chamando os estudantes e servidores para troca de socos. Um aluno, cujo vídeo foi divulgado nas redes sociais, levou um soco na boca e teve os lábios cortados.

Vídeos mostram manifestantes chutando o portão do estacionamento e tentando atingir estudantes que estavam do outro lado.

Segundo alunos e servidores, a reitoria foi acionada, mas teria orientado a segurança do campus a não intervir. A situação só foi controlada com a chegada da Polícia Militar e de fiscais do TRE-RN, chamados pelos próprios estudantes. Procurada antes do fechamento da matéria, a UFRN não respondeu até a publicação desta reportagem.

📌 O que diz a lei eleitoral

A Lei das Eleições (Lei nº 9.504/1997) proíbe propaganda eleitoral de qualquer natureza em bens públicos, como prédios e áreas de órgãos públicos. Universidades federais se enquadram nessa regra (art. 37). A mesma lei também proíbe o uso de alto-falantes e amplificadores de som a menos de 200 metros de escolas e outras instituições de ensino, quando estiverem em funcionamento (art. 39, § 3º). O descumprimento pode resultar em multa e na retirada do material, e cabe à Justiça Eleitoral, provocada por fiscais, partidos ou pelo Ministério Público Eleitoral, analisar cada caso. Denúncias de propaganda irregular podem ser feitas pelo aplicativo Pardal, do TSE.

Após a dispersão, passaram a circular prints de um grupo de WhatsApp chamado “UFRN ANTI LULA 22”. Em uma das mensagens, um participante diz que o grupo passou a mensagem apesar da gritaria da esquerda. Outra mensagem fala em “quebrar dentes” de opositores.

A Deputada Federal eleita Brisa Bracchi saiu em defesa dos alunos nas redes sociais. “Vamos defender a universidade pública […] não podemos dar espaço ao ódio dos Bolsonaristas”. Afirmou a vereadora em vídeo nas redes sociais.


Nota da redação: a imagem de abertura desta reportagem foi alterada com o uso de inteligência artificial para proteger a identidade dos manifestantes. Os rostos gerados não representam pessoas reais.